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Cap. 1095 – Invisível – David Levithan e Andrea Cremer

Ciao!!!


Depois
de morar um bom tempo na pilha “próximas leituras”, finalmente criei vergonha
na cara e li.
Resultado?
Ai
que livro lindo!
Dos
livros que David Levithan escreveu em parceria, este se tornou – DISPARADO – o
meu favorito.
Invisível – David Levithan e Andrea
Cremer – Galera Record
(Invisibility
– 2013 – Penguin)
Personagens:
Elizabeth e Stephen
Stephen era um adolescente
invisível. Desde que nasceu, nunca se viu, nunca viu ninguém e nunca foi visto
por ninguém, nem mesmo os próprios pais. Após ficar sozinho no mundo, levava
uma vida de espectador do cotidiano alheio em Nova Iorque. Até o dia em que o
impensável aconteceu: uma vizinha, recém-chegada ao prédio, não só o viu como
conversou com ele. Vinda de uma mudança por motivos traumáticos, Elizabeth
ainda se sentia perdida no mundo. A aproximação com o vizinho começou a ajudar
a por coisas em perspectivas. Até o dia que ela descobriu a verdade sobre ele.
E isso desencadeou uma série de consequências que não teriam mais volta e que
nenhum deles poderia imaginar ser possível.
Comentários:
– A narrativa é em primeira
pessoa em capítulos intercalados entre Stephen e Elizabeth. Os dois vivendo
momentos de estagnação. Ela, que veio para Nova Iorque com a mãe e o irmão
caçula após um problema em Minnessota, ainda buscava um propósito para sair dos
sentimentos de fúria e revolta. Ele, invisível, órfão de mãe e com um pai
distante, estava perdendo as forças de permanecer conformado na única
existência possível: ver as vidas dos outros sem ser visto
– Tudo mudou quando
Elizabeth o viu. Ele não esperava ser visto e por um momento achou que era
normal. Até perceber que apenas ela o via. Demorou para Elizabeth perceber e a
revelação a deixou chocada e despertou os questionamentos de por que ele era
assim e por que só ela podia vê-lo.

Sei que não posso continuar assim. Sei que esta felicidade foi
construída sobre uma base pouco sólida, e que, a qualquer momento, o vento pode
surgir.
Mas
estou me divertindo. Eu a divirto. O que torna fácil esquecer
”.
(p. 72)

– Na busca pelas respostas,
Elizabeth descobriu muito além do que imaginava sobre si mesma, sobre Stephen e
despertou um inimigo que poderia destruir tudo em nome do ressentimento e da
vingança. Mas se houvesse uma chance – por menor que fosse – de dar a Stephen a
chance de ser como todos os outros, ela tentaria.
– Temos quase um conto de
fadas onde a maldição impede os protagonistas de serem felizes. E é preciso
enfrentar um inimigo que tem o poder de desfazer a maldição – mas, com certeza,
não tem o interesse em fazer isso. Temos a história do aprendiz que precisa se
preparar para o confronto, mas que não consegue compreender que precisa
respeitar o tempo, até por saber que eles não têm tanto tempo sobrando. Temos
relações de afeto (ou não) familiar. Temos o processo de aprender a estabelecer
laços de confiança, após não ter mais razão para confiar ou acreditar nos
outros. Temos personagem disposto a tudo para conseguir o que quer, sem o peso
na consciência de sacrificar outras vidas no processo. Tem gente se colocando
em risco por uma causa que pode estar perdida desde o começo. Sinceramente, não
entendi até agora como ninguém teve a coragem de fazer um filme a partir deste
livro.

Uma soma de imagens, um mosaico de reflexos.
É na percepção do outro que se borda a própria individualidade. Mas e quando se
é uma folha em branco? Quando não há nada? Nenhuma representação?

– Sem contar que é possível
fazer todo tipo de analogia do universo criado por David Levithan e Andrea
Cremer. Podemos discutir a solidão, a necessidade (às vezes exacerbada) de só
nos reconhecermos enquanto pessoas/seres a partir do olhar do outro, a
dificuldade de lidar com o que você não consegue entender ou com o que não
corresponde às suas expectativas, como se adaptar às mudanças e se está
preparado para as descobertas (ainda mais as muito inesperadas) sobre si mesmo,
além do quanto você seria capaz de se sacrificar por outra pessoa…

Não é solidão, na verdade. Porque a solidão vem da ideia de que você
pode estar envolvido no mundo, mas não está. Ser invisível é ser solitário sem
o potencial de ser outra coisa além de ser solitário. Por isso, depois de um
tempo, você se retira do mundo. É como se estivesse num teatro, sozinho na
plateia, e tudo o mais estivesse acontecendo no palco
”. (p. 106)

– As possibilidades de
interpretações são variadas e possíveis. E não precisa ser invisível como
Stephen para entender as dores e os sonhos dele. Por tudo isso, desenvolvido de
forma cuidadosa pelos dois autores,
Invisível
se junta aos livros solo de David Levithan na lista dos meus favoritos
(afinal de contas, quem acompanha o Literatura de Mulherzinha sabe o quanto
adoro os livros dele).
  
Arrivederci!!!
Beta

1 Comentário

  1. Sil de Polaris

    Fantasioso. Psicológico. Simbólico. Foram estas idéias que este fato literário sobre este personagem nunca ter sido visto desde que nasceu suscitou em mim. Mas eu nunca pensei em que isto poderia significar em agonia para uma pessoa que nunca foi vista mas não tem controle sobre isso, sequer prazer com isso.

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