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O Garoto quase atropelado – Vinícius Grossos – Cap. 1240

Ciao!!!
Há livros que chegam no tempo certo na sua vida.
Como sempre estou com algum na mão, na mochila, por perto, posso garantir. 


Ah, o Vinícius Grossos pediu na carta aos leitores pra que não se antecipem detalhes da história do Garoto para não atrapalhar a experiência das outras pessoas. Então, por isso, peço a paciência de vocês porque optei por um texto extremamente pessoal para o Especial Brasil, daqueles que de vez em quando aparece por aqui.

E tem músicas, porque uma (que faz parte da minha vida desde que a ouvi pela primeira vez) me acompanhou no início, outra (que também está comigo desde que foi lançada) invadiu no meio e a terceira (que eu nunca tinha prestado atenção porque não conhecia a banda) surgiu, sem qualquer expectativa (cortesia do aleatório do Spotify) enquanto eu me preparava para escrever.

Sessão avisos encerrada, vamos ao que interessa?!  

O Garoto quase atropelado – Vinícius Grossos – Faro Editorial
(2015)
Personagens: garoto quase atropelado, a cabelo de raposa, o James Dean não tão bonito e a menina de cabelo roxo.
Um garoto que ainda estava lidando com um acontecimento terrível começa a escrever um diário, incentivado pela psicóloga. E a partir de um quase atropelamento, ele conhece a cabelo de raposa. Por meio dela, encontra o James Dean não tão bonito e a menina de cabelo roxo. Todos tão confusos, perdidos em problemas e incertezas quanto ele. Será um mês para se encontrar e se perder de si mesmo, aprender e desprender, sofrer e deixar de estar vivo para viver.
Comentários:


I know
it’s hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if you could heal a broken heart
Wouldn’t time be out to charm you
Sometimes I need some time… on my own
Sometimes I need some time… all alone
Everybody needs some time… on their own
D
on’t you know you need some time… all alone
– Todo mundo tem (ao menos) um momento em que leva uma porrada da vida, daquelas de perder o rumo. Dos golpes habituais, mesmo os mais fortes, você sabe que vai se recuperar. Depois das porradas, você tem certeza de que nada voltará a ser normal e bonito como antes. Estou falando por experiência própria. Sempre achei que dava conta de lidar com tudo até topar (duas vezes) com algo que não podia controlar, resolver ou solucionar. Foi demais para mim. Precisei pedir ajuda para remexer em assuntos dos quais fugia e/ou ignorava e sair dos escombros em que minha mente estava se trancando.
– Por haver morado um tempinho no fundo do poço emocional, consigo entender, por caminhos diferentes, onde o garoto está quando começa a escrever o diário. Por causa de um acontecimento terrível, tudo perdeu o sentido. E é algo que não se reverte em um passe de mágica. Mas como voltar a atribuir significado e importância às coisas quando você só consegue sentir exatamente o contrário?

Now I know that I’m not
All that you got
I guess that I
I just thought
Maybe we could find new ways to fall apart
But our friends are back
So let’s raise a toast
Cause I found someone to carry me home

– O quase atropelamento é o que muda a vida do garoto. É quando ele vê a cabelo de raposa pela primeira vez. E a curiosidade sobre quem ela seria inicia o processo que o leva a perceber como estava se sufocando e tenha de, pela primeira vez, romper a rotina. Só que não estamos falando de soluções fáceis (cá entre nós, pode contar nos dedos quando acontecem na vida) e ele embarca em uma história totalmente imprevisível, formando um quarteto ao lado do James Dean não tão bonito e da menina de cabelo roxo. E o garoto conseguia – com uma incrível sensibilidade para ver nos outros o que tinha perdido a capacidade de enxergar em si mesmo – encontrar o que de melhor havia em cada um que nem seus novos amigos haviam percebido ainda.

Tonight, we are young
So let’s set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun
Tonight,
we are young
So let’s set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun
The moon is on my side
I have no reason to run
So will someone come and carry me home tonight
The angels never arrived
But I can hear the choir
So will someone come
And carry me home”

– Ao lado dos novos amigos, o garoto passa a encontrar forças em si mesmo para começar o processo de encarar o que houve e lidar com isso, enquanto surgem novas situações a serem enfrentadas. E ao mesmo tempo, ele se torna uma força ajudando os amigos em meio ao caos e a turbulência causada pelos problemas de cada um e de como as bagagens pessoais interferem no conjunto formado por eles.

– Eu adoraria que o mundo fosse um lugar de pessoas boas e perfeitas, mas não é. Infelizmente, a maldade pode estar em todo o lugar, inclusive em quem devia cuidar e proteger, inclusive em quem jurava amar. Pode ser gratuita, pode ser perversa. Pode ser encoberta por uma fachada impecável. Pode surgir porque alguém não mede as consequências. A vida é cruel, meus amigos. E falo porque sou obrigada a noticiar o pior de que seres que somos obrigados a chamar de humanos são capazes. Já perdi a conta de matérias que escrevi espumando de raiva, ira e ódio (desculpa por destruir a imagem que alguém tenha de que todo jornalista adora desgraça. Não é – nunca foi e nem será – o meu caso), de fazer entrevista tremendo ou de ir pra casa arrasada à beira de lágrimas por saber que não existe norma no Código Penal que permitiria justiça suficiente. Diante de tudo o que já vi, posso dizer que nem sempre uma alma sobrevive, por mais que o corpo continue respirando e se movendo.

When I look into your eyes
I can see a love restrained
But darlin’ when I hold you
Don’t you know I feel the same?
‘Because nothing’ last forever
And we both know hearts can change
And it’s hard to hold a candle
In the cold November rain 
– O garoto quase atropelado vai compreender que nem sempre é possível salvar ou ajudar todo mundo. Às vezes, a gente é derrotado pela vida (checked!), pela morte (checked), por nós mesmos (checked). O processo é aprender a se libertar e seguir em frente. Nem sempre o caminho leva a um arco-íris no fim ou um por do sol mágico. Ao longo das páginas do diário de um mês de novembro, o garoto vai entender que a gente se perde e se reencontra, sofre e se reinventa. Passa por encontros e despedidas. É rotulado e se desprende de si e dos outros para aprender a se manter sempre descobrindo mais sobre si mesmo.
– Escrevi antes e repito aqui: digo por experiência própria. Ainda estou novamente em algum canto disso que contei aí em cima desde que levei da vida a segunda porrada desorientadora (em duas partes) justo no meu mês favorito, mais amado, o que conto os dias pra chegar  novembro. Aham, isso mesmo, justo o mês do diário escrito pelo garoto quase atropelado. Nem vamos discutir sobre “o acaso”, porque sei que não existe. 

– Voltando ao que interessa, a narrativa que ele faz de três datas (uma delas, óbvio, meu aniversário) me lembrou do que eu passei exatamente nos mesmos dias. E me colocou pra pensar no que estou fazendo comigo até hoje (porque ainda estou lidando com as consequências, com algumas frustrações e colando os caquinhos com muita música, muito livro, muito amor que recebi quando não esperava e que, provavelmente, precisarei de muitas vidas para retribuir). Por isso, sei que não está fácil, mas já esteve pior.

– E a vida que bateu em um novembro, castigou em março e abril deste ano, me trouxe dois livros em junho de 2015 e seis dias em junho de 2016 tão inexplicavelmente mágicos que ainda não consigo acreditar. Ou seja, não há mal que perdure. Não funciona com todo mundo, eu sei. Mas está me ajudando a tentar fazer alguma diferença neste mundo cada vez mais cruel e sem sentido, mas que ainda assim tem belezas que me inspiram a seguir em frente.

And love is not the easy thing
The only baggage that you can bring
And love is not the easy thing
The only baggage you can bring
Is all that you can’t leave behind
And if the darkness is to keep us apart
And if the daylight feels like it’s a long way off
And if your glass heart should crack
And for a second you turn back
Oh no, be strong
Walk on, walk on
What you got they can’t steal it
No they can’t even feel it
Walk on, walk on 
Stay safe tonight
 
– Para quem, como eu, procura e acha nas histórias amores eternos, antipatias declaradas, fugas da realidade, mundos idealizados, coragem, inspiração e felicidade, é sempre bom encontrar alguém que saiba destrancar com firmeza, embora gentilmente, aqueles pedaços da nossa alma que a gente prefere deixar escondidinhos (principalmente de nós mesmos). Há momentos em que é bom pensar nisso. Eu li sobre O Garoto quase atropelado quando ele foi lançado há um ano e o livro foi pra minha lista dos desejos. Mas fui encontrá-lo em junho deste ano. E mesmo depois de #MadreHooligan trazer pra casa e ler antes de mim, só consegui ler depois de outro momento difícil (onde, por sinal, vivenciei pela primeira vez uma cena que também é narrada no livro). 
– Não deixa de ser curioso todo este percurso, que ainda incluiu outros três livros que pavimentaram o caminho pra estar pronta para passar de fase no processo de lidar com algumas coisas. E assim como o 1+1, ajudou a trazer paz para uma mente que anda muito turbulenta. E nem todo mundo, todo livro, toda música consegue isso comigo. Só os realmente especiais. Por isso, eu recomendo a experiência de ser quase atropelada. Pode ajudar a você também.
Arrivederci!!!
Beta
ps para o Vinícius:
1 – Consegui atender ao pedido de falar do livro sem dar spoiler?
2 – Concordei com #MadreHooligan sobre uma pessoa que deveria ter sido castigada.

– Pra encerrar (pelo menos até o próximo livro)…

.

 

 

13 Comentários

  1. Morgana Brunner

    Eu tenho tanta vontade de ler esse livrinho que você nem imagina, achei a resenha um tanto adorável e a capa um amorzinho, dica super anotada.
    Abraços

  2. Daniele Vieira

    Olá
    Uau que resenha!!
    A gente leva cada soco na vida né, todo mundo passa por isso, alguns demoram mais para se reerguer, eu demorei quase dois anos da última, e ainda me sinto um pouco deprimida, mas agora nem sei se ainda é por causa do 'soco' ou por causa de todas as outras coisas da vida, afinal ela não para, vou anotar a dica, mas não sei se leria por enquanto.

  3. Camila

    Oi, Beta.
    Tive a oportunidade de conhecer o autor na Bienal e ele é tão simpático, que já queria ler o livro dele mesmo sem saber do que se tratava!
    Agora que li a sua resenha e vi o tanto de emoção que você sentiu com essa leitura – e conseguiu transmitir nessa resenha – decidi que preciso ler esse livro o mais rápido possível!!
    Beijos
    Camis – blog Leitora Compulsiva

  4. Aricia Aguiar

    Adorei sua resenha, foi quase um desabafo!
    E é realmente incrível quando a gente se depara com essas leituras 'preparadas especialmente" pra gente. Isso aconteceu comigo no livro Zoey – o Pássaro da autora Monica Pimentel, fica a dica, se vc quiser procurar.
    Bjks
    Comentando para o Blog Livros & Tal

  5. Carol Ramires

    Olá!
    Não conhecia ainda esse livro, mas amei a sua resenha e fiquei morrendo de vontade de ler também, parece ser uma história muito especial.
    Beijos.

  6. Kamila Villarreal

    Olá!

    O Vinicius é maravilhoso!!! Eu tenho o 1+1 aqui para ler e estou com as expectativas altas! Não sei muito sobre esse livro, mas acredito que tem uma forte mensagem em que todos devem se inspirar!

  7. Ani Lima

    Oii!!

    Eu ainda não consegui ler nada do autor, mas morro de vontade de conhecer a escrita dele. Gostei de saber que vc respeitou o pedido dele, se post está sem spoiler e muito bem escrito!

    Beijinhos

  8. Cila-Leitora Voraz

    Oi Beta, sua linda, tudo bem?
    Só ouço elogios ao autor, estou muito curiosa para conhecer seu trabalho. Essa história parece ser linda, por isso colocarei na minha lista de desejados com certeza!!!
    beijinhos.
    cila.

  9. Gabrielly Marques

    Oiii, tudo bom? Que resenha mais linda! Eu quero muito ler algo do autor e provavelmente começarei por esse. Achei a premissa mega cativante e acho que tem tudo que me agrada em um livro. Meus parabéns pela ótima resenha!!!
    Beijos!

  10. Luna

    Olá, Beta!

    Uau! Que resenha maravilhosa! Uma das mais especiais!

    Suas palavras me fizeram lembrar de uma música que eu estava ouvindo hoje mesmo: Respira, do cantor Luis Fonsi. "La vida… A veces no es justa la vida…"

    A vida ama dar golpes nas pessoas, lançá-las ao chão ao ponto de não saberem se conseguirão levantar novamente e ser o que foram antes. Se conseguirão seguir em frente sem perder a esperança. Em Deus. No mundo. E em si mesmas. A vida também já me golpeou muito. Criei meu blog quando estava tentando sobreviver a uma queda bem feia, um dos golpes mais inesperados. Mas sobrevivi. Seu blog, as amizades que fiz na blogosfera, os livros, as músicas e, acima de tudo, Deus, me ajudaram a recomeçar.

    Não quero nem começar a falar sobre a violência deste mundo e dos seres supostamente humanos, pois não conseguiria parar e meu sangue esquentaria novamente com as barbaridades que fazem parte desta vida.

    Eu fiquei morrendo de vontade de ler esse livro!!! Mas não sei se conseguiria escrever uma resenha totalmente sem spoilers.rs Seria extremamente difícil, ainda mais porque o livro parece ser bem emocionante.

  11. Sil de Polaris

    Oh, essas pauladas, porradas, rasteiras de estraçalhar nossa alma pela vida afora, viu ! Eu recebi cinco desses golpes titânicos até agora. Tomara eu estar aprendendo e ter aprendido o que eles queriam ensinar. Meus sentimentos para esse garoto. Meus sentimentos para você, menininha. Mas não concordo com você quando você diz que esta vida é cruel. Não é ela quem é cruel: são seus seres humanos ! Luz para você !

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